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InMyDefence

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Memorias de Oitenta

inmydefence, 10.04.20

Nos anos oitentas as preocupacoes eram outras, a SIDA era um tema extremamente preocupante, pouco se sabia de como era transmitida, incuravel e completamente mortal. O mundo comecava a mudar, as mulheres mais emancipadas e independentes sem terem que deitar cavaco a ninguem, e o Cavaco, ele proprio, a dominar Portugal e querer "um governo, um presindente" mas o Soares era fixe e a malta nao ia em cantigas carrancudas, a nao ser que fosse dia de Festival...

O bagaco corria nas tabernas, os homens juntavam-se as esquinas a conversar, as mulheres continuavam mal vistas nos cafes, principalmente sozinhas! Vendia-se na rua e apregoava-se a aurora bem cedo nas manhas de sabado, a praca er aponto de encontro de collants muskado e bananas da madeira, as criancas gostavam dos panos do chao estendidos onde os ciganos vendiam bugigangas mais duradouras do que dos chineses atuais.

As vezes descia-se ate a Praca do Chile, mais mercado, a Rua das Pretas, o Minipreco, mais opcao talvez mais barato? e a ingreme Alameda para subir e alombar com as compras depois, promessas nunca cumpridas de um brinquedo e ala que se faz tarde para casa que o almoco nao se faz sozinho e o homem que ficou em casa nao faz nenhum!

Alias se tivesse que estender um pano no estendal quase morria de vergonha! onde ja se viu um homem a estender roupa, o que seria se os vizinhos o vissem! Ridiculo? pois, mas era assim!

As criancas nunca tinham razao e tinham era que se calar que nao havia ca explicacoes  e tais, as mulheres governavam as cozinhas sempre de aventais e as modistas eram as companheiras de domingo a tarde onde mediam robustas medidas e tiravam moldes para fatiotas.

Anos ao fim e aquele vestido de flores nunca se rasgou, nunca teve um ponto fora do lugar, bom investimento na modista da Graca que um dia ate valeu uma queda seguida de lanche no cafe e pevides para o serao a ver o 123.

O 12 3 dava na televisao e a bota botilde saia aos incautos, corria-se para ver o MacGyver e copiava-se o triste corte de cabelo do Richard Dean Anderson, o kit voava pelo menos na nossa imagicacao!

Ia-se a praia mas perto que a ponte sobre o Tejo so se atravessava raramente e depois de muita insistencia para ir ver a prima a Palmela. O campo era perto da Serafina, o Aqueduto era um horizonte largo, e os hipermercados jamais foram visitados por aquelas alminhas.

Passeava-se a noite e ia-se ao jardim da nespera, aos baloicos de ferro, a Bolaria, e talvez com sprte um croissant no cafe em que se chocou com o vidro de entrada! As cortinas erm brancas, com renda, haviam portadas nas janelas, os tapetes ainda estavam por cima das carpetes e oleados na cozinha, os autoclismos estavam altos e a banheira era de louca.

Ainda se colocavam naperons nos sofas, ate cinzeiros de latao, ate gaiolas de passaros, ate platnas dependuradas do tecto, ate mesinhas de centro para bater com os joelhos, ate camas desdobraveis onde se dormia todos os dias.

Nao havia ikea, nem centros comercias megalomanos, nao havia internet, nem smat phones, nao havia muita coisa mas brincava-se na rua, conversava-se enquanto se enrolava o fio preto do telefone nas maos e tinha-se um diario com chave que qualquer pessoa bria sem.

As fotos saiam mal e eram caras , tinham de ser reveladas e nao havia digital. alias digital era a impressao no bilhete de identida, O qual levava um dia inteiro a tirar, a preencher impressos que se pagava para alguem o fazer, onde se media altura e paciencia que se esvais em fome, tempo e riscos nos enganos!

As pessoas so comiam coisas boas nas festas, quica nalgum domingo! Espumante, bolos cheios de acucar, chocolates, etc eram coisas muito raras, alias a coca-cola teve entrada proibida em Portugal durante muitos anos.

As especiarias tinham potes pequenos numa prateleira de madeira, seis geralmente, mas quase nunca se usavam e restrigiam-se  a pouco mais que paprika, cominhos e alho, nada de asa fetida, cariis variado e cebolinho desidratado!

As colchas das camas nao escondiam edredons mas sim meses de agulha e linha calos no dedo e choros em pontos errados, pesadas, inlavaveis na maquina de lavar, com franjas para pentear, uma coisa!!

Os candeeiros do tecto levavam tardes a jantar, o papel de parede era inenarravel, as janelas limpavam-se com ajax, e ouvia-se musica a sexta a tarde a limpar a casa. O sonasol lavava a loica e o sonasol verde o chao, as chamines tinham marmore e o fogao ficava debaixo duma chamine nunc a limpa!

Depois chegaram os anos 90, a velocidade do mundo tomou conta de nos e agora aqui estamos a desfilar memorias num isolamento do Corona e anos virao de falar nisto e outras coisas virao. Este isolamento tem algumas vantagens, mas a nostalgia nao sera uma delas, comer sim, comer  e experimentar receitas: pesto com penne e parmiginanno, bolo de ananas em cama de caramelo com ovos brown, salmao fumado num risotto de alho frances, estufado de vitela com batatinha nova e cenoura baby ou arroz de frango com chourico e 'ta tudo dito!

 

 

Viajar, perder paises...

inmydefence, 02.03.20

A coisa podeira ter dado certo, por muito que a loucura tenha sido grande. Da-me algumas saudades do supermercado e ate do 5 e do 6 que tantas vezes nos transportaram pela cidade. O supermercado, com cortadores de presunto, e produtos bons mas longe dos bons produtos de um Pingo Doce normal. Os espanhois enchem-se de enchidos e processados e depois admiram-se de ali naquele triangulo terem uma incidencia enorme e a maior de Espanha. A praia, muito fmosa como destinod e ferias, nao me surpreendeu era boa, agradavel mas torna-se impossivel conviver com os barulhentos espanhois, que aprecem ter um problema qualquer a nivel de espaco pessoal. Um dia montmaos tenda num sitio sem ninguem, a praia totalmente deserta, as pessoas comecam a chegar e vao-se por aonde? em cima de nos! porque? nao sei, permanece a fuvida ate hoje mas aconteceu varias vezes e por todo o lado, eles gostam de estar em cima uns dos outros.

Portugal estava perto e com mais dinheiro poderiamos , certamente, ficar ali, nao em Espanha que realmente foi uma experiencia mas revelou-se impossovel de viver. A Andaluzia nao sao propriamente espanhois... e a cultura e' muito dificil. Nao e' dificil aprender  a lingua, e' dificil conviver com aqueles valores e a falta de nocao: de gente que grita as 4 da manha na rua como se fossem 3 das tarde ou do carro do gas que as 10 da manha passa com a musica irritante altissima todos os dias!

O calor e' insuportavel e nem se pode caminhar a noite por causa da bicharada. O calor chega aos 40 graus a noite! E de dia destila-se a alma para tratar de qualquer assunto. Sao sobejamente mal educados mas num grau que nem a internet consegue transmitir quandovemos isso escrito poraqui e por ali. Sao mal educados a um nivel que nao existe profissionalismo neles, nem um tratamento mais polido ou um cuidado com o tom de voz.

Ver um filho a ir a escola e ter de conviver com eles e' complicado, e saber que essa adaptacao nao vai ter nenhum objetivo porque logo vimos embora pior ainda. Mas a vida acaba por nos ensinar que todas as experiencias nos ensinam algo e que as vezes nao entendemos as coisas em determinada altura para depois nos fazer sentido mais tarde.

Existiram dias bons, quando visitavamos Portugal e iamos de barco atravessar aquele sonhado rio, e em Portugal aquela lingua que ja nos soa estranha, e os espacos brancos o ceu azul, as ruas limpas os queijos, os bolos, a comida. Na praia, tambem nos divertimos, mas como andavamos de transportes publicos era muito complicado, ha uma falta de nocao incrivel so entendida se vivenciada. Um dia o motorista expulsou uma pessoa deposi dela pagar bilhete, porque ai entendeu que nao havoa lugares sentados. (!)

A maior parte dos espanhois andaluzes nao e' muito tecnologico, a partir dos 50 anos diria mesmo que eles acham a internet algo obscuro e computadores? ehehehhe os computadores sao de 1980 com aqueles mointores enormes que eu pensava que ja nao existiam!

Ali nunca ia dar, mesmo com o melhor emprego do mundo, porque mal ou bem temos sempre que conviver um minimo com as pessoas. O mercado tambem era agradavel mas com muita falta de organizacao e muito caro, lojas de chines por todo o lado, enormes mais parecem armazens nao sei como eles as pagam! Perfumes, colonias e produtos cosmeticos muito bons, com aromas interessantes assim como a cerveja servida sempre bem gelada e as tapas originais. Nisso sao bons: tapas e cerveja! Ainda que prefiras as craft beer inglesas, mas aquela cerveja gelada, bebida num dia a tarde quando estava cheia de calor, sera para sempre inesquecivel!

Nos ultimos dias cai, e ouvi mutio Ney Matogrosso pelo que estes dois fatores vao ficar associados a memoria de quando vivi em Espanha, e o Ney nao merecia :) Voltamos a ficar separados por 2000 milhas e a comunicar via skype, nao me apetecia nada esta situacao, muito menos num pasi que nao o meu e no qual nem tinha carro mas tudo se fez. Principalmente os dois ultimos dias em que estivemos no hotel, limpamos a casa e apanhamos o aviao depois de 3 transportes ate ao aeroporto! Vi imensas entrevistas de Ney, admirei a sua linguagem corporal, o seu olhar, a sua ousadia. Achei incrivel tudo o que diz a perspectiva com que olha o seu sucesso e a ansia de fazer sempre mais!

E quase tudo se baseou em Portugal, comer, praia, calor, supermercado, compras que acabei por vender ou deixar para tras. A vida e' assim, mas outros ha que nao se movimentam e ficam 30 anos num sitio e vivem a menos de 50 km do local onde nasceram, e nao conhecme o mundo e nao tem frustracoes de maior.

Ainda li no Verao o Cartas de Guerra do A.L.A., uma desilusao! Outra desilusao foi nao comprar todos os livros que queria porque os precos dos livros em Portugal sao impossiveis! 4 bons livros custam 100 euros num pais que tem um ordenado minimo de menos de 600 euros para quem trabalhar 40 horas semanais e' uma vergonha! Naoquerem que as pessoas sejam cultas.

Se bem que tenho quase a certeza que acabarei por morar a sul, neste momento sinto-me indecisa sobre o que deva fazer neste proximos anos a nivel de investimento.

 

"E o que me importa
É não estar vencido"

Sweet dreams - Mark my words!

inmydefence, 26.02.20

Something wasn't right, I like Psychology but in my gut. I do not feel it right! Sure I was concerned about a new platform, concepts and how do I feel to start all over again and learn how to interact for the best. Therefore, I prefer to wait and find what was wrong what seems right. I think I haven't seen a path study Psychology. I thought I could have a job later back in my home country but the truth is that I barely think to go back. I love the sun, the blue sky, the thing that we can do when the places close later than 5.30,  but also, I love the green landscapes,  nature always present, the blue sky and the greener grass, own a home with a garden, have a dog in later years... I love so many things in England that I can hardly think giving up to live here even with Brexit.

Even though someday I will be British I will be Portuguese too, I know that I am keen in British culture and I appreciate loads the soaps, the creams, the luxurious traditional products. Although, I love codfish and chorizo forever! And Portuguese honey, and cheese, and other so many things that I love and I know I love and I can come back to have it once in holidays.

Today, I think I found the right path: continue to study what I achieved, build a new career and grow from there with a degree in a couple of years. I have other dreams, may I cannot conquer all my dreams, some of them are not the same because I evolved and I am not the same person that I was ten years ago.

So, I am now in the position to wait for an answer and continue to study. These next couple of weeks are decisive, and I think it will be great if I achieve the 3 things that I am prioritising now. I might write in English more often as I need to train so much! You can know the language, but you only achieve the rightness when you practice, and you understand why the native use certain expressions.

Mark my words: I will conquer this dream!

 

"Sweet dreams are made of this
Who am I to disagree?
I travel the world
And the seven seas,
Everybody's looking for something.

Hold your head up, movin' on
Keep your head up, movin' on"

Boaventura

inmydefence, 24.01.20

'A tarde subia a rampa, chegava ao cimo cansada de tao ingreme que era, tao perigosa que ao fim de muitas quedas e anos integraram umas escadas e corrimao na calcada. Via na esquina a janela e o seu sorriso e cabelos brancos, dizia-lhe adeus e sinalizava que iria la a casa dai a minutos. Chegava e entrava, e o seu sorriso era sempre igual, falavamos e riamos, e comia uma sandes de toucinho e um prato de canja num prato de esmalte mais velho que eu, e onde sabia melhor.

Dias felizes eram os quais a minha tia chegava e dizia para dormir la, e ligava -lhes a dizer que eu ficava la. Bebia um pote de cafe de cafeteirae comia bolachas que vinham com uma caneta, queijo de casca cor de rosa que a Boneca cobicava com aqueles olhos redondos e aquele pelo branco, o meu animal preferido de todos que conheci!

A cozinha era ao fundo, tinha uma chamine antiga em marmore lios rosa e ao lado uma pia que parece que dantes se usava para enviar as aguas para  a rua, as janelas tinham cortinhas presas em cima e em baixo onde se aninhavam os gatos no sabados de sol. Gatos espertos!

A casa de banho tinha uma janela enorme onde outros gatos gostavam de se passear e apanhar sol, era uma janela comprida com um vao que se tornava fresco para os animais. Gostava particularmente da janela do quarto principal. Ora imagine-se uma janela enorme de dois tercos da parede para cima ate ao tecto e uma arca de madeira enorme a cobri-la alcochoada e com uma manta de veludo verde musgo com franjas, o estore corrido e eu dona da rua a ver tudo sem que me vissem.

Era a Alice que vinha de passo acertado para casa, com um saco na mao e que logo parava, relembrava uma tarefa e voltava apressada para tras e voltava meia-hora depois com outro saco e um frango assado , sabia eu, porque o nome por fora.

O Vasco que joga a bola de um pe para o outro e caiu esparramando-se ate chorou e limpou o choro a manga da camisola, seguiu com a bola debaixo do braco e o tenis aberto a frente!

O Dinis sempre a falar com ele, que diziam que era maluco por esse habito e que sempre olhava para a minha janela como se me visse o que eu achava tao estranho!

Um dia, passei uma tarde maravilhosa naquela arca a ler a Heidi, via as pessoas passarem e as vezes so as ouvia, ao sabado de manha a Clotilde apregoava flores e era sempre muito simpatica para mim e eu gostava dela da pele morena, da lingua solta mas sempre noutro tom para mim.

Era das pessoas que me olhava diferente como se soubesse que eu nao pertencia ali, e de facto nao pertencia.

As vezes a rua 'acordava', nao com marchas e arraias, nao com tareias ou discussoes, mas com a procissao, estendiam-se as colchas a janela, as velas passeavam entre o bairro rico e o bairro pobre e a noite acabava na igreja e todos para casa que ja era tarde!

Aquela gente era tao diferente, tao castica, tao ainda presa a anos passados e a conceitos antigos, era dificil ser livre ali. Mesmo com um predio americano, mesmo com um patio singular, mesmo com a Igreja a bater a horas certas, mesmo com um campo de futebol.

E entao eu descia a rampa e ia para a escola, descia a rampa a fincar os dedos da frente nao fosse cair, nao fosse cair e estampilhar-me ao comprido naquelas pedras lisas, nao fosse pela rua do 30, e seguisse ate ao sapateiro com no dia que a minha mala militar rompeu nas alcas e ele a coseu e eu tao contente. A mulher sempre antipatica e ele sempre a trabalhar de olhos baixos o cheiro a cola grossa amarela para os sapatos, quase nunca o ouvi so a mulher com aquele olhar e a minha mala a funcionar outra vez quase partiu a agulha da maquina de coser os sapatos. E a mulher antipatica a dizer que nao a cozia de novo!

Talvez a infancia nao tenha sido a mais feliz de afectos mas foi rica em experiencias, em pessoas, em cheiros como o cheiro a bolos, a cola grossa de sapatos, a roxo de violetas, pedra pomes, pevides, tremocos, jardins e miradouros.

Eu era livre, mas as vezes andava depressa demais para nao me verem.

 

 

Desejos de Genio

inmydefence, 23.01.20

Se me perguntassem, se me dessem a escolher, se tivesse os meios para realmente fazer o que quero. Que faria eu?

Provavelmente ficaria indecisa, porque ja experimentei estar longe, nao da. Tenho saudades deles e mesmo sabendo que nao sao perfeitos gosto de saber que estao aqui perto.

Mas nesse desejo de genio eu escolheria Portugal, Cascais ou Estoril, viver numa casa com espaco exterior, ter um carro bom, poder viajar e criar um negocio proprio ligado as artes e ao prazer da mesa.

Talvez com esses meios, entendesse as viagens que teria de fazer para os ver mais vezes, e talvez pudesse ir leve. Ao mesmo tempo, nao sei se voltar a Lisboa nao e' querer refazer o passado com outras linhas e que nao tenho porque as pessoas cresceram, mudaram, sao outras.

Encarando a realidade e face ao valor dos sonhos e seu combustivel que nao tenho de momento, ficarei aqui. Ha muito para ser feliz, tentarei crescer e tentarei ver como posso fazer para aliar os sonhos a teimosia de um curso.

Pois assim a lista nao e' longa: casa, carro, emprego, curso, viajar, comer, saber mais, relaxar, natureza. E e' isto e a par que os mais proximos estejam bem, ja e' pedir o ceu na terra!

Sempre soube ou sempre senti que acabarei por escolher o sul para passar os dias de outono, talvez enfim realizar algo. Sei que nao pararei de querer mais, sei que nao pararei de procurar mais, sei que nao quero ter mais se para isso tenho de prejudicar, enganar ou manipular outros.

Sera interessante saber que realizarei, que farei para conseguir mais do que espero, que a vida me reservara. Os meus planos para 5 anos sao simples mas merecem tenancidade e pedem resiliencia para serem cumpridos. Sao planos caros, planos de quem quer construir.

 

 

"E eu pergunto aos economistas, políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?"

Almeida Garret, Viagens na Minha Terra

Fim de Ciclo

inmydefence, 29.12.19

se calhar posso fingir que gostaram de mim?

talvez as imagens me tragam essa ilusao, ali ainda nao tinham filhos, nem sabiam se te-los aconteceria. Talvez o slide estragado trouxesse a gargalhada genuina, o carregar dos slides, o girar da maquina, o nao saber se ia funcionar ou nao.

 

Era um fim de tarde, no Estoril, os cogumelos coloridos no jardim, o mar azul salpicado de tempo e a luz dos anos setenta, gosto do acabar das calcas, e da camisola azul petroleo de gola alta. Ele, veste umas calcas de bombazina cor de vinho, ou bourdeaux? e uma camisola camel ou cafe com leite? e os dois sorriem felizes, sem saberem quantas viagens a marginal lhes traria nas proximas decadas.

A miuda morena de caracois e vestido as riscas. Sorri-lhes, nota-se que ela os adora, e eles dao-lhe a mao, mao que vao largar porque a vida acontece. A miuda continuou a procurar a mao deles vida fora, o sorriso o olhar de novo. Falhou.

Noutro sitio, os 4 sentados, outros diferentes parecem sair de um filme daquela epoca. Tinham vindo de Africa, nao sei que sentiriam, mas o pais era em tudo novo para eles, um pais pos 25 de Abril, mais livre, mais esperancoso, diferente. Mas ainda sem as paisagens de Africa, sem o espaco imenso de tudo, o sabor das frutas diferentes, as laranjas doces e as acacias, o perfume das flores e o sol quente na pele. Sem as coisas largadas para tras num horizonte que jamais veriam.

Sentados na pedra longa e rectangular, um semi muro, parecem felizes, parecem sorrir a vida por vir, partilham historias e partilham domingos longos. Tardes em que entardecem e cabeceiam no sofa, e contam velhas piadas e sonham com esse pais que nao vem.

Talvez possa encontrar respostas nessas imagens, quem sabe? descobrir porque e como, como as coisas foram sendo e desapareceram, como as pessoas escolheram caminhos que as distanciaram e como o elo foi sendo cada vez mais uma so pessoa ate se perder toda e qualquer ligacao.

Ensinam-nos a sermos generosos, a sermos empaticos? ou a vida contradiz e ensina-nos a preservarmo-nos e ficamos mais sos, mais selectos, desconfiados.

Ha outra imagemque procurarei emoldurar, eu nos espelhos, eu em toda a volta e eu de costas, de vestido azul. Quica a perguntar-me porque tantas eus?

Relembro tambem imagem de eu a sorrir, o mini por tras, e as meninas que dancam perto. Imagens que ficam, que sou eu, e fazem parte de mim. Outras imagens tenho, como a de Evora ou aquela a passear no carrinho de xadrez vermelho e  branco e ele de barba preta, feliz. Eu no terraco, pais dos sonhos, eu sendo livre na praia e eu mais velha a desacreditar e voltar para casa...

...que ja nao era ali.

Madre, Perola

inmydefence, 28.10.19

E verdade, menina! este colar de madreperola esta aqui vai para mais de 30 anos! Uma vez, veio ca um casal com a filha ainda pequena, queriam comprar uma lembranca. A filha encantou-se por um colar de pedras de conta brancas e rosas. A senhora disse logo que era uma boa escolha, mais barato.  Enquanto isso, ela pediu-me para lhe mostrar as trussards de perolas. O senhor de barbas disse que queria oferecer o colar de madreperola a afilhada, mas a senhora insistiu, nem pensar que a afilhada nem ia notar, nem dar valor a madreperola!

Levaram os colares de perolas, talvez com pulseira, acho. Sabe no que reparei? Ela ia contente, com as suas trussards novas de perolas. E ele andava devagar, com o olhar no horizonte.

Entao o colar ficou aqui ate hoje! Todos estes anos, um colar simples mas bonito, nunca ninguem o quis levar, tanta gente o viu.  E a menina gosta?

- Gosto sim, vou levar. Sabe... o meu padrinho gostava muito de passar ferias aqui, levava-me sempre um colar...

A[vida]

inmydefence, 24.10.19

estar presente no agora, querer o que se quer. deixar a vida fluir mas fazer o que se quer fazer. ser livre, nao fazer mal aos outros, ser livre para voltar atras e saber que a vida e' curta. a vida e' agora o passado pertence aos museus. Amanha esse amanha vem, traz mais sonhos e caminhos, e e' bom, com mais certezas do que se quer, mais certezas de saber viver. Viver as escolhas, fazer outras escolhas, reflectir e sorrir. Mas ser livre, a vida pertence, presente, premente!

 

agora que tudo nao deu certo e este errado me da certamente certo!

Marmore rosa

inmydefence, 18.09.19

Vi agora uma fotografia de um sitio de Lisboa que adoro, adoro desde sempre do alto da Alameda, adoro depois quando ia ao medico, adoro ainda a caminho da casa do meu amigo, adoro mais e mais perto nos entardeceres depois do trabalho, Vejo aquela luz de fim de tarde, rosa dourada, linda e unica e penso de como aproveitei pouco, de com fujo das pessoas do olhar delas, das suas opinioes de como nao vivo para nao ter que as ouvir.

Sinto saudades da Cristina que me ensinou a gostar de bossa nova, que me contou historias quase irrepetiveis de como apanhar no fim de uma K7 uma conversa estranha sobre treinamentos especiais de uma amiga, uma amiga que afinal era uma miuda com treino militar a um nivel de guerra.

Desejei ir estudar, frequentar livremente aqueleespaco de ideias, de gente que partilha que ri, mas eu nunca fui de rir, de estar livremente  eisso sempre me condicionou a vivencia como desde a infancia sempre tivesse medo de algo. Ha gente que nao devia educar.

Ali aprendi a trabalhar, a gostar, a gostar de gostar. Infelizmente nunca aprendi a ser, a viver o momento, a saber estar em paz comigo. A gostar de estar com os outros, e' como estivesse sempre a desconfiar, como se nao pudesse estar.

Sinto que tenho sempre de resolver alguma coisa, que tenho sempre algo para fazer, enunca estou em paz. Nao sei ate quando.

A Isaura vendia cosmeticos, a D. fazia parte da entrada, a Beatriz era eximia com os galoes, a M. comia omeletes com coca cola, a Zulmira atendia o telefone com ar grave, a chefe chamava me fascista sabe-se la porque mas depois pedia-me apra dar injecoes a gatos, a F. adorava as suas meninas e tinha sempre um sorriso, a A. gostava do seu bairro e a Elisa nao era ma como diziam. Houve mais gente que chegou depois, e que n ao faziam falta nenhuma, mas nos primeiros anos aquele local foi fantastico.

Embora as letras desaparecessem da maquina de escrever, os livros nunca estivessem no sitio, o chao nao fosse mt bom para curvas de patins, o refeitorio fosse gelado mas com excelente comida, a direcao metesse medo mas tinha aquele poema do Gedeao onde eu pousava os olhos para me abstrair.

Gostava de voltar la, nao seria igual, mas o marmore rosa ainda la esta, talvez tenham mudado as magnificas portas, a Cristina morreu, talvez ja nao cheire a portugues suave - os cigarros mais inenarraveis de sempre - talvez ja nao existam as estantes envidracadas na porta do refeitorio, talvez a casa de banho ja nao seja um cubiculo com janela, talvez eu chorasse...

Fumava as escondidas enquanto observava as velhas caixas de autoclismo, brincava com as gavetas que nunca sairam das secretarias e por vezes tao dificeis de fechar, coleccionava selos enquanto ouvia historias da feira popular e ria. Era livre e feliz, mas nem tudo era tao simples.

Lembro-me da maciez do marmore rosa, das escadarias maravilhosas que teriam feito desfiles fabulosos, das vitrinas envidracadas de madeira, da nova branca a destoar, lembro do soalho de madeira a ranger de eu a correr e tudo meu, de cruzar o patio e das chaves, da confianca que depositaram em mim, do passaro no bolso e a voar, da sardinhada, das escadas em que cai, da chuva, da Inca.

Era bom ser jovem, era bom as tostas do fritz, era bom acreditar nas pessoas, era bom os filmes, o jardim da agua, a rua do bingo, a luz dos candeeiros e os bancos do jardim, os beijos demorados, era bom os sonhos que tinhamos.

Deviamos ter feito planos, tracado um caminho, confiado mais no instinto e menos nos outros.

 

in Historias da Margarida

 

 

''Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer''

 

 

V o a r

inmydefence, 28.06.19

Nao tenhas medo. Se tiveres ficas e se ficares os anos passam. O tempo voa e quando olhares para tras vais-te arrepender mais do que nao fizeste. Nao tenha smedo porque tu es unico, tu tens sonhos e cancoes que so o teu cerebro conhece, tu sabes que queres mais, aprender conhecer viajar. Entao vai. Se ficares anulas-te, se ficares nao segues, estacionas os passos e ficas...ficas...ficas...

Nao tenhas medo, se der errado conseguiras fazer diferente. Queres mais, vai, sonha e conseguiras. Nao desistas por medo, Nao desistas. Tenta as alternativas, constroi. Agora constroi, e’ tempo.

Nao fiques por medo. Nao desistas por medo. Nao sonhes menos por medo.

Vive. Respira. Sonha. Vai!!