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InMyDefence

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23
Jul18

Diario de Noticias 2018

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Manhas de adolescencia, manhas ansiosas talvez viesse escrito um dos meus poemas, no DN no DN jovem, suplemento do Diario de Noticias, Talvez eu tivesse o meu poema volteado a vermelho, vermelho Molin ou recortado e arquivado para futuras visitas. Nunca aconteceu, talvez falta de talento meu!

Gostava de o ler o Diario de Noticias o grande, e o mais pequenino, tal como a Hola tem cheiros proprios? Mais alguma revista cheira como a Hola ? Nao! Uma pessoa identifica a Hola pelo cheiro, pela qualidade das fotos por todo o glamour e o que eu adorava as receitas das ultimas paginas ha anos atras.

Havia outra em Espanha que tb gostava mas que nem espanhola era e trazia sempre um brinde, um dia era um pedaco do muro de Berlim e triste a quem pedi e nada mais pedia, ficou-me com o brinde!

E agora nao mais tingir os dedos de preto no voltear das paginas, nao mais saber quais serao as 'gordas', nao mais sacudir o jornal para o endireitar enquanto as publicidades caem... e tentar dobra-lo acertadamente ao meio e nao a 4/5 e o jornal teimoso a dobrar no sitio errado.

Conhecer os nomes e desenhar perfiis, perceber o que aquela pessoa pensa, sorrir com ela ou menear a cabeca, ler de novo e refletir, discordar ou encontrar um ponto interessante que nao se tinha pensado. Os jornais...isso tudo. E aprogramacao e os signos, e confesso tempos eu achava piada a necronologia, como se pequenas historias de gente e me perguntava que sentiriam as pessoas conhecidas que ali se deparavam, quica subitamente, da morte de alguem que nas suas vidas passara.

E o Independente? Lembram-se do Independente? Quantas selfies daria hoje o Independente...ui... e o expresso com o seu saco (o primeiro?) ao fim-de-semana e suplementos, revistas e quejandos ums em fim de nunca mais acabar de letras agrupadas.

O Diario de Noticias nao desaparece, fica online ou digital comos e diz modernamente, deixa de haver jornais e tambem se diga, e' certo! quase que ja nao ha jornalistas. Daqueles como o Baptista Bastos ou o Fernando Peca que eram de verdade incriveis! Talvez o DN tenha instagram e por la publique fotos retro da redaccao num antes e agora, ou negativos de tiragens antigas ( um dia visitei uma tipografia de jornais e foi impressionante!) ou talvez tenha twitter e uma hashtag #diariodenoticias #dnonline e compreendo agora que nao e' rejeicao a mudanca quando as pessoas falam de tempos antigos, e' pena de se perderem para sempre e dao lugar a outras diferentes, melhores ou nao, mas outras!

 

Ficam as memorias, as historias que posso contar, ha tanta coisa que Portugal nao da valor, falta-lhe mundo, nao sai do lugar vai pra 500 anos...

 

Arquive-se.

 

 

I hear the drums echoing tonight
But she hears only whispers of some quiet conversation

 

08
Jul18

Sul... e tudo mais a Norte...

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Passaram 12 anos entre nos e tenho alguma reserva de pegar novamente naqueles livros! na altura souberam-me a mel, a paixao alimentava a dengosa historia de Cleopatra, principalmente Cleopatra e Cesar, que e' uma delicia de fascinio, suspense e seducao!

Lembro-me que os livros me acompanhavam para todo o lado e fizeram comigo viagens de comboi no alfa pendular, foram ao Porto e a Coimbra, andaram por Lisboa, Oeiras, Cascais, visitaram quica Aveiro... nao me lembro...

O romance entre os dois e as cenas de seducao sao tentadoras e extremamente apelativas aos sentidos. Imaginem para quem esta apaixonado, a sentir que o seu amor e' unico e encontrou a pessoa que vai ocupar o lugar daquela personagem.

Sera que os cheiros  e sabores, as cores e sentires daquele tempo virao ate mim pelas paginas daqueles livros?

A memoria e' curiosa, encontra-nos, perde-nos e deixa-nos desorientados: o que imaginamos e vivemos? o que pensamos e sentimos?

 

Quem somos sem memoria?

 

Como o 'Sul' quero tanto reler! Miguel e' um eterno sonhador mal disposto mas sonhador e gosto de o ler, um solitario que se descobre. Nao me lembro de outros livros que queira reler, embora 'Os Maias' seja um eterno e quero ler 'o Mandarim', vou comprar alguns aqui nada!

E pevides...

 

Norte, desnorte... tu o meu Norte e eu sempre a caminhar na tua direccao! Eu gostava de gostar de ti. Acontece! As pessoas as vezes apaixonam-se por gostar das outras numa ilusao que a outra nao cumpre. Exatamente o q me disseste ha dias atras. 

 

E o comboio o morno barulho, a viagem que varre arvores nas janelas. 

03
Jul18

Secretas Alianças

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No verao seguinte, ela voltara, curiosamente trouxera a orquidea que eu lhe dera no ultimo verao. Eu ouvia ‘’Geni e o Zepelim’’, aquele som de bossa nova fabuloso de Chico, o encanto das palavras a contar a historia de Geni, e ela a chegar sorridente com a orquidea e uma saco  de papel. Trazia um vestio de flores pequeninas, umas sandalias azuis  que reparei porque logo as descalcou assim que me pssou o saco: morangos! E eu que tinha tantos!!

Sabia que os morangos tinham esse sabor de alianca, esse sabor de amizade de querer mais, esse querer que guardamos em nos doce, calmo; uma memoria que nos acalentou o ano inteiro, um querer que nos deixava palavras por contar. Comunicavamos por livros recomendados, declaravamos nas musicas e quando ela de novo se sentou no muro sombra de outro inteiro, o cd passou para outra cancao que era a nossa.

Foi no Outono, estavamos os dois longe eu na Italia, e ela em Istambul, o humor nao era o melhor mas ainda assim falamos imenso ate que demos por nos em silencio e nenhum de nos dizia nada,  subitamente o radio do carro ligou-se – aquele carro italiano era temperamental e fazia-me dessas – e aquela musica que sempre me parecera a maior lamechice fez sentido.

Fazia sentido agora, ela ali a comer morangos novamente, a contar-me coisas e a calar-se quando a musica comecou a tocar!

 

They're just human contradictions

Feeling happy feeling sad

These emotional transitions

All the memories we've had

Yes, you know it's true I just can't stop thinking of you

 

Naquele dia em Florenca nada pude fazer, ali agora podia. A musica fizera-nos suspirar ao mesmo tempo e ficamos a ouvi-la em silencio e no fim o radio desligou-se sozinho, e eu disse qualquer parvoice sobre a cor ocre em Roma e ela riu, e despedimo-nos e aquela cancao ficou nossa.

A minha mao procurou a dela, e dancamos, dancamos enquanto o sol nos aquecia, de novo naquele entardecer e o ar cheirava a morangos e framboesas, cerejas e orquideas, jasmim e alfazema. Ou era eu que sentia assim.

Tentamos de tudo para os nossos olhos nao se encontrarem mas no fim da cancao foi inevitavel, a mao dela a abandonar a minha, eu a pensar que na sabia o que fazer e mil ideias a passarem-me pela cabeca. Leva-la para dentro, trazer uma bebida, dizer uma coisa qualquer sobre o tempo, ir buscar mais morangos...

O gato miou e ela largou a minha mao, fez uma festa ao gato e pegou-lhe ao colo, olhamos um para o outro e suspiramos, fui la dentro...sem ela. Trouxe uma bebida e cerejas.

O ar cheirava realmente a jasmim e alfazema, era o perfume dela?

Nao sei que faca com isto, outro ano e’ muito tempo, outros anos... passaram 10 anos e ela sentada no muro, com os morangos, com os sonhos, com a musica a tocar e eu a pensar se lhe digo o que penso, o que sinto e depois?

 

What's life without a dream to hold??

 

02
Jul18

Brisas de Verao

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A sala ocre era fresca e extremamente relaxante com as cortinas a ondular levemente e a brisa verdejante que atravessava as janelas de arcos singulares. O tapete macio, de cores vibrantes quase acomodava os pensamentos por entre as fronteiras dos desenhos. Ao longe o aroma do massala chai comecava a dominar o ambiente combinado com o doce aroma a caramelo e a especiarias quentes.

Nao  me recordo da luz que a sala tinha, era uma penumbra de fim de dia, uma mistura de cores e reflexos que provinham de magicos e coloridos objetos pendurados aleatoriamente. Sentia um encantamento por aquele lugar, parecia que a vida estava tao distante, que as minhas experiencias ate ali davam agora inicio a outro ciclo.

Singularmente, nada havia pendurado nas paredes, como se toda a informacao daquele espaco nos rodeasse,  nos abracasse. Sempre me fora dificil sentar no chao, contudo agora a postura correcta e a almofada tornavam a experiencia agradavel e surpreendemente ausente de dor.

O massala chai era otimo, despertava-me os sentidos , trazendo memorias reconfortantes de momentos alegres, e’ magico o que acontece numa nova experiencia e como reagimos a essa experiencia.

Tinha tantas saudades de escrever! Estava ali a pensar no que fazer, a vida corre impertinente e os sonhos nao se cumprem sozinhos. O que tinha para partilhar nao tem fim, as palavras correm-me a mente invadida por lugares, historias, instantes que no futuro moram.

No dia seguinte conheci a pessoa que ia mudar a minha vida! Do nada! Sem saber como, e tudo comecou ali, pediu-me de inicio um manuscrito sobre ideias, o que eu quisesse e assombrosamente publicou esse rascunho da minha mente!

Era nisso, que ali, naquele lugar que eu pensava nisso, entre os sabores do cha e aquele doce marroquino que me esqueci do nome, Era delicioso o que me fazia sentir aqueles sabores tao diferentes, a conversa fluia sobre o mundo e sobre experiencias noutros lugares como naquela vez em Istambul que as aguas de dois continentes se cruzavam e a torre da lenda da princesa parecia resplandecer ao sol uma silhueta.

Ou o momento em Paris que falava com alguem a 2000 mil milhas de distancia, a coluna antiga a apoiar-me a paixao, o horizonte belo de fim de tarde. Ou quando fui a Grecia, as resplandecentes aguas do mediterraneo, a comida fabulosa cheia de ingredientes novos a desafiar o paladar e a musica, os azuis e brancos, as roupas e os costumes!

Ali tudo era incrivel, o oriente tem outra cor, sabores que nos transportam para um imaginario de mil e uma noites. A tarde descansava nos bracos da noite, as estrelas eram proximas e um mar de areia rodeava-nos, as cortinas apreciam dancar na brisa de Verao, nao paravam ondeando dengosamente libertando nos ares os cheiros das especiarias usadas ao longo do dia.

Voltava la, mas nao estive, voltava la a viver todos esses momentos, a deliciar-me com os sabores e aromas, as pessoas apressadas numa lingua apressada e a paixao, a paixao de descobrir este mundo e os sentidos.

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