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12
Mar18

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Quando estava no sexto ano, somava negativas a portugues, tinha verdadeiras dificuldades em entender o que as perguntas queriam que eu respondesse. A discipina nao cativava, como nao cativa, em vez de se aproximar dos estudantes distancia-se, no seu pedestal olha-nos a achar-nos completamente incapazes de a decifrar.

Alguem que ja tinha dado aulas de portugues, resolveu dar-me varios enunciados de exames nacionais que tinha guardado. Lembro-me de olhar varios dias para os envelopes castanhos A4 sem nenhuma vontade de os abrir, ate porque vinham cheios de instrucoes macadoras e folhas com riscos diagonais que nao serviam para nada mas em que nao se podia escrever se fosse um exame a serio. 

Um dia, em que se aproximava novo teste de Portugues, resolvi abrir um, tinha um numero a bold na primeira pagina e o nome da disciplina. O primeiro texto era de Julio Dinis, comecava num portugues ja arcaico, que me deixou a memoria de achar dificil eu algum dia entender  aquele tipo de linguagem e completamente impossivel gostar de ler os seus livros. Aquele primeiro paragrafo era tao complicado de entender... uma pessoa perdia-se naqueles intricados volteares cheios de adjetivos!

Contudo nada e’ definitivo na vida, nao so gostei da Morgadinha dos Canaviais como li toda a obra de Julio Dinis que, por acaso, descansava la em casa ha varios anos, encapada em bonitos livros verdes escuros de couro do Circulo dos Leitores. Este livro,  trouxe-me ao conhecimento uma das minhas personagens preferidas: Joao Semana, e a paixao por ler e descobrir os autores portugueses, as suas intrigas e personagens, o retrato da vida portuguesa da altura.

Confesso que nao gostei dos poemas, mas nao os reli nestes ultimos vinte anos e talvez, porque acontece, a vida agora me conduzisse a outra leitura embalada nas experiencias e bagagem de emocoes.

Anos mais tarde e ja com notas elevadas ‘a temivel disciplina, deparei-me com a mesma dificuldade n’Os Maias. Livro que hoje e’ um dos meus preferidos, que me da sempre mais cada vez que o leio, que me deixa sempre expectante de que afinal tudo nao passe dum mal entendido e que eles possam ser felizes para sempre.

Relembro a sorrir a pessoa que leu aquele texto do Julio Dinis, que nao entendia porque se falava em jantar as tres da tarde, que achava aquele vocabulario completamente impossivel de entender mas que preserverou e de dicionario ao lado decifrou o texto, respondeu as perguntas de interpretacao e de seguida leu o livro porque nao era justo deixar o moco de Lisboa sem futuro, depois de ter apanhado uma enxurrada!

 

''Ao cair de uma tarde de Dezembro, de sincero e genuíno Dezembro, chuvoso, frio, açoutado do sul e sem contrafeitos sorrisos de Primavera, subiam dois viandantes a encosta de um monte por a estreita e sinuosa vereda que pretensiosamente gozava das honras de estrada, à falta de competidora, em que melhor coubessem.''

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