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Janeiro 31, 2018

Ontem vi uma entrevista com Pilar del Rio, fico sempre entre a  dúvida e o espanto quando presencio gente com um raciocínio tão friamente lógico. Sinto uma linha recta em frente, pensamento quase sem afectos, sem curvas numa quase liberdade  ausente de ser. É como se a vida fosse um dever. 

Só se consegue ler Saramago em discurso oral ou em pensamento, os seus livros são partilha de si, não os li a todos, aliás li muito poucos. 

Vivia numa ilha, numa casa virada a si. Ela sobrevive-lhe, cria uma fundação e leva uma vida de romaria que muitos sentiriam vaidosa mas que se traduz unicamente austera, o dever...

Lembras-te das fases? Quando falavas de ti para contigo em pensamento. Quando querias aprender algo novo todos os dias, ou ler livros, ser outros, viajar. Dos poemas e das letras de música, o descodificar do pensamento, do outro, da mente.

Que pensará Pilar de tudo isto? Da sua vida, do seu dever? De como lhe aconteceu ser Pilar, a Pilar de Saramago. Muitas vezes não somos o que os outros vêem, somos mundos cruzados de pedaços esquecidos, de sonhos, de dias negros. E os outros a acharem-nos calados, taciturnos, antipáticos e nós a debater-nos entre o filtro social e a revolução da nossa mente...

nao te esquecas.

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