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InMyDefence

Entretanto...

Dezembro 16, 2018

Estou para aqui a ler um livro de um autor que nao que o conheca mas conhecendo do tanto que o leio.

Lembro-me de ti, do sabor dos morangos e da tarde que passamos, sorriamos a  dancar que e' sempre diferente de dancar a sorrir. Dizias-me coisas assim e fazias-me pensar!

Ai!Tinha tantas saudades, que quase uma dor!

Onde estaria? Apetecia-me ligar-lhe falar de Julio Iglesias, da propria da Iglesia que descobrira, branca de amarelo debruada, de escadas convidativas e uma procissao memoravel que passava anual.  Sentava-me nas escadas quietas, de manha, ouvia no telefone um cambiar de musicas que eram tao ecleticas que me recuso a por-las aqui.

Que teria sido de nos se ha dez anos quase mais, tivessemos dado outros passos? Ele disfarcava sempre com a cultura infindavel que tinha, contando historias, desfilando sabedoria e filosofias, argumentavam os dois e ele ria-se a dizer 'nao pensas'!

No entanto ele revelava-se quando tocava a viola, o som invadia a calma e as palavras desfilavam subtis num canto dum olhar. Em mim sempre a verdade se revelou pelos ombros, gestos irreflexos, pequenos e que me assustavam nao fosse ele reparar como quando me perguntou se eu tinha frio... e eu disse que sim, sabia la que responder, e ele foi-me buscar uma samarra a pesar-me nos ombros, ele a rir-se e a samarra a pesar no reflexo do meu ombro direito que se virava para ele, que o queria! que naoq ueria a samarra, que nao queria a roupa...

Isto da vida nao nos permitir realidades paralelas, de nao nos permitir ir viver ali um bocadinho, bem lhe dissera que as vezes as pessoas tinham de ser inteligentes e deixar os outros viverem uma experiencia, crescerem, deixarem a posse de lado. Vou-lhe ligar, isto em mensagem fica muito grande nao da, vou-lhe ligar e dizer que o quero, quero dancar com ele e comer morangos, uvas moscatel e beber um vinho tinto como ele sabe escolher, um vinho doce encorpado com a forca de uma tarde verao e a profundidade de um horizonte.

Quero ligar-lhe e dizer que gosto do jardim dele, das rosas e das hortensias, de como ele olha para o jasmim e eu sei que o lembra de mim porque qualquer perfume que eu use tem sempre jasmim porque me lembra o seu jardim. Quero ficar a namorar o por do sol, a brilhar nos oculos dele que ele poe para esconder a claridade que lhe invade o olhar de me ver rir. Quero telefonar-lhe e dizer tudo isto, dizer-lhe que nao ha forma de continuarmos a adiar, a vida vai passando, quero ficar a ouvir Sinatra, quero que ele me ensine todos os outros de que gosta como me trouxe aquela musica incrivel que eu confesso, nao tinha idade para conhecer. Aquela dos Beatles que chama os amores antigos, que fala de amor e de esperanca, de uma lealdade que fica para sempre em lacos eternos de afecto.

Quero ir com ele a Londres e Paris, a Grand Place e ao museu ver o Van Gogh, comer uma carbonara verdadeira e que ele me leve pela mao a descobrir a patria amada, quero ver pelos olhos dele o que o tempo ainda nao me trouxe e o que gosto e nao aprendi a gostar, descobrir outras cores ou tons e vou...vou, ligar-lhe.

 

 

Blue moon
You saw me standing alone
Without a dream in my heart
Without a love of my own

Secretas Alianças

Julho 03, 2018

No verao seguinte, ela voltara, curiosamente trouxera a orquidea que eu lhe dera no ultimo verao. Eu ouvia ‘’Geni e o Zepelim’’, aquele som de bossa nova fabuloso de Chico, o encanto das palavras a contar a historia de Geni, e ela a chegar sorridente com a orquidea e uma saco  de papel. Trazia um vestio de flores pequeninas, umas sandalias azuis  que reparei porque logo as descalcou assim que me pssou o saco: morangos! E eu que tinha tantos!!

Sabia que os morangos tinham esse sabor de alianca, esse sabor de amizade de querer mais, esse querer que guardamos em nos doce, calmo; uma memoria que nos acalentou o ano inteiro, um querer que nos deixava palavras por contar. Comunicavamos por livros recomendados, declaravamos nas musicas e quando ela de novo se sentou no muro sombra de outro inteiro, o cd passou para outra cancao que era a nossa.

Foi no Outono, estavamos os dois longe eu na Italia, e ela em Istambul, o humor nao era o melhor mas ainda assim falamos imenso ate que demos por nos em silencio e nenhum de nos dizia nada,  subitamente o radio do carro ligou-se – aquele carro italiano era temperamental e fazia-me dessas – e aquela musica que sempre me parecera a maior lamechice fez sentido.

Fazia sentido agora, ela ali a comer morangos novamente, a contar-me coisas e a calar-se quando a musica comecou a tocar!

 

They're just human contradictions

Feeling happy feeling sad

These emotional transitions

All the memories we've had

Yes, you know it's true I just can't stop thinking of you

 

Naquele dia em Florenca nada pude fazer, ali agora podia. A musica fizera-nos suspirar ao mesmo tempo e ficamos a ouvi-la em silencio e no fim o radio desligou-se sozinho, e eu disse qualquer parvoice sobre a cor ocre em Roma e ela riu, e despedimo-nos e aquela cancao ficou nossa.

A minha mao procurou a dela, e dancamos, dancamos enquanto o sol nos aquecia, de novo naquele entardecer e o ar cheirava a morangos e framboesas, cerejas e orquideas, jasmim e alfazema. Ou era eu que sentia assim.

Tentamos de tudo para os nossos olhos nao se encontrarem mas no fim da cancao foi inevitavel, a mao dela a abandonar a minha, eu a pensar que na sabia o que fazer e mil ideias a passarem-me pela cabeca. Leva-la para dentro, trazer uma bebida, dizer uma coisa qualquer sobre o tempo, ir buscar mais morangos...

O gato miou e ela largou a minha mao, fez uma festa ao gato e pegou-lhe ao colo, olhamos um para o outro e suspiramos, fui la dentro...sem ela. Trouxe uma bebida e cerejas.

O ar cheirava realmente a jasmim e alfazema, era o perfume dela?

Nao sei que faca com isto, outro ano e’ muito tempo, outros anos... passaram 10 anos e ela sentada no muro, com os morangos, com os sonhos, com a musica a tocar e eu a pensar se lhe digo o que penso, o que sinto e depois?

 

What's life without a dream to hold??

 

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